"Uma vez que aceitamos Cristo como nosso Salvador, estaremos unidos com Cristo, não em algum sentido vago ou improdutivo; antes estaremos unidos com um Cristo ressurreto e vivo, e, como noiva de um Cristo vivo, teremos o mais alto e grandioso chamado de dar frutos para Deus. Cristo é a videira, e nós somos os seus ramos; permanecendo nele, traremos frutos. Somos chamados a ser como Maria, que se entregou a Deus e com isso, num ato de passividade, deu à luz, de dentro do seu próprio corpo, o corpo do Messias. É nesta condição que devemos viver. A lei a que estávamos submetidos foi rompida, não só para que ficassemos livres da lei, mas para que, uma vez unidos ao Cristo ressurreto, déssemos frutos para Deus.
Como Jesus disse, "se vocês se mantiverem em mim, certamente darão frutos, muitos frutos." Se a noiva pretende dar à luz a filhos, não basta que ela meramente conceda a sua mão em casamento no dia da celebração de seu enlace matrimonial. Ela precisa entregar-se a si mesma em amor, sempre de novo, e é assim que o novo filho chega ao lar. Nós temos que nos entregar a Cristo, não uma vez somente, no dia que o aceitamos como Salvador, mas sempre de novo, constantemente, a cada instante. E sempre que o fizermos, ele haverá de gerar muitos frutos, através de nós.
O misticismo oriental é bastante popular nos nossos dias, mas a mistica do Cristianismo é bastante superior. O misticismo oriental exige que as pessoas neguem a sua própria personalidade. Na mitologia hindu, quando Shiva se apaixonou por uma mulher mortal, ele colocou os seus braços em torno dela e ela sumiu. Esse tipo de coisa não acontece no Cristianismo. Quando nós nos convertemos ao Cristianismo, de forma alguma colocamos, com isso, a nossa personalidade em jogo. Deus nos criou como seres racionais e morais, e, quando nos revela a sua verdade, ele nos trata como seres racionais. A noiva que disse sim ao seu noivo, no dia do enlace matrimonial, continuará dizendo sim ou não a ele, por toda a vida de casada, e, dependendo do seu sim ou não, poderá ocorrer o nascimento de filhos - ou não. Da mesma forma, nós, que somos seres racionais e morais, somos convocados, com a máxima seriedade, a dizer sim ou não para Deus, ao longo de todos os dias de nossa vida. Nós temos o supremo chamado de nos ofereermos a nós mesmos em amor a Cristo, porque ele gera frutos por meio de nós...
A mistica cristã está baseada na realidade do que os teólogos chamam de nossa "união mística" com Cristo. Deus, o Pai, tornou-se o nosso Pai; nós estamos sendo habitados pelo Espírito Santo; mas, de acordo com o Novo Testamento, há uma união mística entre o crente individual e Jesus Cristo - não uma união mística que seja capaz de reduzir a nossa própria personalidade - mas o oposto. Enquanto continuamos racionais e morais, com um chamado para amar a Deus, nós que fomos libertos das cadeias da lei recebemos agora o mais elevado chamado para nos oferecermos a Jesus Cristo. À medida que fazemos isso, ele produz frutos em nós. "Permaneçam em mim, que eu gerarei muitos frutos."
É simplesmente impossível para nós gerar qualquer fruto pelas nossas próprias forças. Você deve se lembrar do que líamos em 6:11. de que devemos "considerar-nos" como se estivessemos mortos para o pecado. Em seguida, lemos em 6:13 que devemos "oferecer-nos" a nós mesmos como instrumentos da jsutiça de Deus. Não se poderia ter uma idéia mais nítida daquele amor, que uma noiva demonstra quando se oferece a seu noivo, do que usando a palavra oferecer-se. Trata-se de uma atividade passiva. "Ofereçam-se a si mesmos" diz Paulo. A quem? Ofereçam-se àquele com quem vocês se casaram - ao Cristo ressurreto, ao Cristo vivo.
Porque, quando viviamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei, operavam em nossos membros a fim de frutificarem para a morte.Rm7:5
O uso, na versão revista e atualizada, da palavra "paixões" é mais adequado do que "emoções", como encontramos na versão King James da Bíblia. Antes de abraçarmos o Cristianismo, as "paixões pecaminosas" que surgiram pela lei estavam gerando frutos "para a morte". "O salário do pecado é a morte". Antes de sermos salvos, esta mesma lei, por si mesma, só produzia morte.
Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra. Rm 7:6
Tendo sido libertados da lei e da morte que ela produz, não somos chamados agora apenas para ser livres, mas para servir. Mas como poderíamos ser capazes de fazer isso? Por meio da ação do Espirito Santo, do conhecimento do poder de Cristo. Não somos salvos só para sermos salvos; não somos salvos só para sermos neutros. Somos salvos para que nos tornemos um só com Cristo, e para que ele possa gerar frutos por meio de nós. Somos salvos para servir "não a caducidade da letra... mas em novidade de espírito". Se pretendemos dar fruto, não podemos fazer isso à moda antiga. Como vimos repetidas vezes, não importando se já fomos salvos ou não, este mesmo principio continua valendo: não temos como salvar-nos a nós mesmos observando a lei; e, enquanto cristãos, depois da nossa salvação, não teremos como gerar frutos para Deus só pela observação da lei. Não temos como fazê-lo pelas nossas próprias froças, mas somente "em Jesus Cristo nosso Senhor".
Freqüentemente, passamos aos novos convertidos a impressão de que eles seriam capazes de automaticamente exibir um caráter cristão. Sempre que tentamos desenvolver o caráter cristão pelas nossas próprias forças, acabamos fracassando. Termos abraçado o Cristianismo não mudará o fato de que é tão impossível manter a lei pelas nossas próprias forças quanto nos era impossível salvar-nos a nós mesmos, apenas pela observação da lei. Isso seria como se um fino ramo cortado se apresentasse à videira e dissesse "sou um ramo e pretendo dar frutos". Isso seria simplesmente impossível. O pequeno ramo precisa necessariamente estar atado à videira. Seria como se uma noiva dissesse "estou casada agora, portanto já posso ter filhos", para depois se virar e seguir o seu próprio rumo, deixando o marido para trás. Não haverá nascimento algum enquanto a noiva não se oferecer ao noivo. Agora, quando ela se oferece ao noivo, é possível que deste enlace seja gerado um filho. E é precisamente isso que Paulo está nos dizendo aqui. Sempre que assumimos uma postura de quem diz "agora sou cristão, posso manter a lei" certamente acabaremos de cara no chão."
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